Uma mulher de 40 anos foi detida na noite desta segunda-feira (24) suspeita de ter forjado seu próprio sequestro com o objetivo de extorquir familiares, incluindo o marido, irmãs e pais. Durante o período em que esteve desaparecida, ela realizou diversas atividades na cidade de Belo Horizonte, como fazer compras, frequentar restaurantes, andar de carro por aplicativo e passear, enquanto enviava mensagens ameaçadoras e solicitava dinheiro. As informações foram divulgadas em uma entrevista coletiva concedida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) nesta terça-feira (25).
Imagens obtidas pela reportagem da Itatiaia mostram a mulher em uma loja de departamento na manhã do dia 24, poucas horas antes de sua prisão. Nas imagens, ela aparece carregando um edredom debaixo do braço enquanto circula pelo estabelecimento, demonstrando que suas ações não se limitaram ao engano, mas também envolveram atividades cotidianas na cidade.
Segundo a Polícia Civil, a mulher saiu de casa no domingo (23), momento em que começou a postar nas redes sociais pedidos de socorro e enviou mensagens para uma de suas irmãs solicitando ajuda. Em seguida, utilizou um chip diferente para fingir ser uma sequestradora e iniciou uma campanha de extorsão contra seus familiares, exigindo a quantia de R$ 14 mil. Ela alegava ter dívidas com terceiros e que só liberaria a vítima, que supostamente estaria sob o controle de sequestradores, mediante pagamento.
As mensagens continham ameaças, incluindo a afirmação de que a vítima seria morta ou agredida caso o valor não fosse depositado. “Se não fizer isso, vamos matá-la, nós vamos agredi-la”, dizia uma das mensagens. Após as investigações, a polícia confirmou que se tratava de uma farsa, e a mulher foi presa na noite do dia 24, em um hotel na Região Central de Belo Horizonte.
A Polícia Civil destacou que, além de enganar seus familiares, a suspeita utilizou recursos públicos ao acionar a Delegacia Especializada em Sequestros, que é responsável por investigações de sequestros em todo o estado. Segundo o delegado Murillo Ribeiro, essa ação resultou no desperdício de recursos públicos e na mobilização de uma equipe especializada, que foi desviada de outras ocorrências reais para investigar uma vítima que, na verdade, era a autora do crime.
Durante a abordagem policial, a mulher apresentou-se inicialmente assustada, mas acabou admitindo a autoria do crime. Ela afirmou estar sozinha no momento e revelou que era ela quem enviava as mensagens de extorsão, usando seu próprio celular. Os policiais relataram que ela agiu sozinha na elaboração do esquema, que envolveu pedir dinheiro emprestado a pessoas próximas, além de usar histórias enganosas para obter Pix de terceiros, incluindo um motorista de aplicativo e uma dona de estabelecimento comercial, fingindo que os valores seriam destinados à extorsão.
O marido da suspeita, de 51 anos, declarou à reportagem que está aliviado com a descoberta da farsa, embora manifeste preocupação com o bem-estar do filho de um ano, que estaria sentindo a ausência da mãe. Ele revelou que a esposa enfrentava problemas financeiros há anos, incluindo empréstimos não autorizados, e que chegou a vender um carro, cujo dinheiro foi gasto por ela sem seu conhecimento. Segundo ele, ela costuma gastar com alimentação, roupas e passeios, além de ter feito empréstimos em sua conta, o que contribuiu para o endividamento da família.
O marido também contou que a esposa pediu dinheiro emprestado a familiares, incluindo um valor de R$ 460 ao cunhado, que posteriormente revelou a ele a dívida. Ele afirmou ainda que a mulher não possui vícios, como fumar ou beber excessivamente, mas que ela tem uma forte ambição por dinheiro e costuma gastar com alimentos e roupas para os filhos e outras pessoas próximas.
A investigação aponta que a mulher planejou o sequestro falso com o objetivo de obter recursos financeiros para quitar dívidas e manter seu padrão de vida. Ela foi presa em flagrante por extorsão mediante sequestro, crime que prevê penas severas na legislação brasileira. O marido afirmou que buscará orientação na Defensoria Pública para entender quais medidas podem ser tomadas diante da situação, especialmente considerando a responsabilidade de cuidar do filho pequeno.








