Um policial civil suspeito de envolvimento na fraude de uma apreensão de drogas na região da Pampulha, em Belo Horizonte, foi preso neste sábado (18 de setembro). Este é o terceiro suspeito a ser detido no âmbito da investigação, que apura a manipulação de uma operação policial ocorrida há aproximadamente um mês no bairro Bandeirantes. O suspeito estava foragido desde a emissão do mandado de prisão expedido pela Justiça, mas foi localizado e detido na tarde de ontem, após cumprimento do mandado cautelar. Além dele, outros dois policiais do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) já haviam sido presos preventivamente e estão sob investigação da Corregedoria Geral da Polícia Civil de Minas Gerais.
Segundo comunicado oficial divulgado pela corporação, a prisão do terceiro policial foi efetuada na tarde de sábado, dentro do procedimento de cumprimento do mandado de prisão cautelar. A Polícia Civil mantém as investigações sob sigilo, mas já confirmou que a ação faz parte de uma apuração mais ampla sobre a suposta fraude na apreensão de drogas. Na última terça-feira (15 de setembro), um dos policiais suspeitos passou por audiência de custódia após sua prisão preventiva, enquanto uma segunda pessoa investigada foi detida na sexta-feira (18 de setembro).
A suspeita central da investigação é de que os policiais envolvidos tenham “plantado” drogas na residência de uma família durante uma operação realizada há cerca de um mês. Na ocasião, duas pessoas, pai e filho, foram presas em flagrante após a apreensão de uma pistola, munições e um tablete de maconha em um quarto do imóvel. O jovem, que também é investigado, é filho de uma policial da própria corporação. A operação e a prisão geraram controvérsia, uma vez que há alegações de que as drogas tenham sido colocadas na residência de forma ilícita para justificar a prisão do empresário de 25 anos.
A defesa do jovem, representada pelo advogado Daniel Carvalho, afirmou que o mandado de busca e apreensão que resultou na prisão em flagrante foi “infundado e ilegal”. Segundo Carvalho, os policiais teriam inserido as drogas na casa para justificar a prisão do suspeito, procedimento que, na visão do advogado, viola princípios legais. A denúncia foi registrada na corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais e inclui imagens de uma agente que participou da operação, mostrando a suposta colocação do material ilícito no imóvel. Ainda de acordo com o advogado, a busca no local foi motivada por uma denúncia de posse ilegal de arma de fogo, e os policiais teriam realizado uma revista detalhada, sem encontrar drogas na ocasião. Posteriormente, um policial apareceu sozinho com o material, alegando que o teria encontrado no quarto do jovem.
< h2 >Repercussões e decisões judiciais< /h2 >
Após a divulgação do caso, a Justiça de Minas Gerais revogou a prisão preventiva de pai e filho presos na operação. A decisão foi tomada pela 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte na tarde de quinta-feira (17 de setembro). A juíza Fernanda Chaves Carreira Machado destacou que há dúvidas quanto à origem do entorpecente e à regularidade do procedimento de apreensão. Ela também apontou que a prisão do pai, que não possui antecedentes criminais, é frágil, uma vez que todo o material ilícito foi localizado em um quarto atribuído ao filho dele. A magistrada ressaltou que, diante das evidências, medidas cautelares diversas da prisão podem ser aplicadas, considerando a primariedade do investigado e a fragilidade das provas que indicam sua participação nos ilícitos.








