O advogado e candidato ao Governo de Minas Gerais pelo partido Missão, Ben Mendes, fez duras críticas ao ex-governador do estado e postulante à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), durante uma sabatina promovida pela Rádio Itatiaia com os candidatos ao Executivo mineiro. Mendes afirmou que Zema estaria mais interessado em consolidar uma candidatura presidencial do que em governar efetivamente Minas Gerais, afirmando: “Faço o compromisso público aqui, eu não serei o governador de Minas Gerais que vou ficar tentando cavar a minha vaguinha de presidente da República esquecendo de governar o estado de Minas Gerais, porque nós vimos isso na última gestão”.
A declaração ocorre em um momento de acirrado debate político, especialmente após questionamentos sobre a relação do futuro governador com o governo federal. Mendes reforçou que, em uma eventual gestão, manterá uma postura de diálogo e articulação com o governo federal, independentemente de quem seja o presidente na ocasião. Ele declarou que, mesmo com a possibilidade de seu aliado Renan Santos, candidato de seu partido à Presidência, não vencer a eleição, faria todas as articulações necessárias para defender os interesses de Minas Gerais.
Sobre a posição de Minas no cenário nacional, Mendes destacou a importância histórica do estado, que tradicionalmente disputa com São Paulo o protagonismo na federação brasileira. Segundo ele, a gestão recente resultou na perda de posições de destaque, deixando Minas Gerais “esquecida no debate nacional”. Para reverter esse quadro, Mendes afirmou que seu governo promoverá interlocução com o governo federal para restabelecer o protagonismo do estado, resgatando o prestígio de Minas, que ele associa ao legado de Tiradentes.
No que diz respeito às dívidas de Minas Gerais com a União, Mendes avaliou positivamente a política de pagamento do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), considerando-a superior ao antigo Regime de Recuperação Fiscal. No entanto, prometeu tratar a questão com cautela, propondo uma abordagem baseada em três pilares. O primeiro é a realização de uma auditoria independente para verificar a real existência da dívida de aproximadamente R$ 179,3 bilhões reconhecida pelo estado para ingresso no Propag. Mendes ressaltou a necessidade de transparência nesse processo antes de avançar.
O segundo eixo envolve a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendes afirmou que, ao reconhecer a existência da dívida, o estado deve buscar a intervenção do STF para garantir que o pacto federativo seja respeitado, especialmente diante de cobranças consideradas excessivas por parte da União. Ele criticou a postura de gestores anteriores, como Fernando Pimentel (PT), que conseguiu uma liminar no STF para suspender pagamentos de dívidas, e afirmou que seu governo negociará de forma a manter os serviços essenciais à população, incluindo a possibilidade de discutir juros retroativos com a União.
O terceiro ponto destacado por Mendes é o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. Ele explicou que, diante de dívidas e restrições orçamentárias, o estado precisa criar um ambiente favorável ao crescimento, atraindo investimentos de empresas nacionais e internacionais. A estratégia, segundo ele, deve evitar o aumento de impostos, que a população mineira já não suporta, e focar na ampliação da receita pública por meio de investimentos externos que potencializem o desenvolvimento econômico de Minas Gerais, que possui grande potencial para atrair capital de diversos setores.









