A ex-subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica de Minas Gerais, Kellen Silva Senra, não esteve presente na audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira, 8, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG). O encontro tinha como objetivo discutir uma investigação relacionada a um contrato de R$ 348 milhões, firmado para a aquisição de material didático.
Kellen Senra, que ocupava a posição na Secretaria de Estado de Educação durante a assinatura do contrato, havia confirmado sua presença na audiência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia. No entanto, poucas horas antes do início da sessão, a ex-subsecretária anunciou que não compareceria, alegando estar em férias-prêmio.
O contrato em questão foi estabelecido sob a gestão do ex-secretário de Educação, Rossieli Soares, e envolveu a compra de livros didáticos da empresa Fazer Educação Ltda. A investigação sobre possíveis irregularidades na contratação levou a Controladoria Geral do Estado (CGE) a abrir um procedimento de apuração, o que culminou na exoneração do secretário após apenas sete meses no cargo.
Nos últimos meses, a Comissão de Educação da Assembleia tem analisado detalhadamente o contrato para a compra de material didático. Um dos pontos centrais da discussão entre os deputados estaduais refere-se ao fato de que a CGE recebeu denúncias sobre possíveis infrações nos trâmites do contrato em 16 de dezembro de 2025. Apesar disso, o vínculo foi assinado apenas uma semana depois, em 23 de dezembro. Seis dias após a assinatura, a Secretaria de Educação efetuou o pagamento de R$ 172 milhões, correspondente à primeira parcela do contrato.
A presidente da Comissão de Educação, Beatriz Cerqueira (PT), expressou sua insatisfação com a ausência da ex-subsecretária e anunciou que ela será convocada a comparecer novamente, desta vez de forma obrigatória. Cerqueira destacou a importância da presença de Senra, considerando que ela é responsável por contratos que totalizam mais de R$ 800 milhões na Secretaria de Estado da Educação, incluindo o polêmico contrato de R$ 348 milhões.
“A gente fica com aquela impressão, quem deve teme. Porque ela havia confirmado a presença, a ex-subsecretária responsável por mais de R$ 800 milhões em contratos da Secretaria de Estado da Educação e por esse famigerado contrato dos R$ 348 milhões. A Comissão de Educação quer esclarecimentos. Se na visão do governo foi tudo feito corretamente, não teria nenhum problema comparecer à Casa Legislativa e prestar esclarecimentos à sociedade. Na ausência da subsecretária, nós vamos para aquele instituto da convocação, que o regimento nos permite, para que a gente marque uma nova audiência e ela possa prestar os esclarecimentos necessários”, afirmou a parlamentar.
A situação levanta questionamentos sobre a transparência e a gestão dos recursos públicos na área da educação em Minas Gerais, além de evidenciar a necessidade de um acompanhamento rigoroso dos contratos firmados pelo governo estadual. A convocação da ex-subsecretária, portanto, será um passo importante para elucidar as dúvidas que cercam o caso e garantir a responsabilidade na administração dos recursos destinados à educação.







