O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não dispõe de provas de fraude nas eleições brasileiras, mas declarou que nem ele nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderiam assegurar, “com 100% de certeza”, quem foi escolhido para governar o país. A declaração foi dada em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, na quinta-feira (5), em Miami, nos Estados Unidos, onde o parlamentar está desde que deixou o Brasil.
Segundo Flávio, uma apuração sobre eventuais irregularidades no processo eleitoral seria “proibida” no país. Embora tenha reconhecido a ausência de evidências, o senador voltou a defender medidas relacionadas à contestação do resultado das urnas e afirmou ser favorável à adoção do voto impresso.
A conversa com o jornal foi a primeira entrevista concedida por Flávio a um veículo de comunicação brasileiro desde sua saída do território nacional. De acordo com a Folha, o parlamentar retomou posições mais próximas do discurso adotado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, depois de ter apresentado uma postura considerada mais moderada durante a campanha eleitoral.
Na entrevista, Flávio também classificou o projeto político do governo Lula como “comunista”. O senador afirmou ainda que o PL pretende pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A iniciativa teria como argumento a suposta prática de abuso de poder econômico ao longo da campanha.
Entre os fatos que poderiam ser apresentados como base para o pedido, Flávio mencionou ações implementadas pelo governo no período eleitoral. Ele citou o aumento do Bolsa Família, a criação do Pé-de-Meia Universitário e a transferência de R$ 5 mil, por meio de Pix, para microempreendedores individuais (MEIs).
O senador declarou que o Brasil não vive uma “democracia plena”. Na avaliação dele, haveria restrições à liberdade de manifestação e influência do governo sobre instituições públicas, entre elas o TSE. A corte eleitoral é presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência. Ambos foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro.
Flávio justificou sua saída do Brasil dizendo que não queria “legitimar processo ditatorial comandado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes”. Durante a entrevista, porém, não explicou de que maneira deixou o país, nem informou quem teria auxiliado ou custeado a viagem. Sobre a permanência nos Estados Unidos, afirmou que ainda vai conversar com os familiares para definir em qual cidade pretende viver. Até o momento, segundo o senador, sua manutenção no exterior tem sido bancada com recursos de reservas financeiras.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de retornar ao Brasil, Flávio sinalizou que pretende evitar o que chamou de “mesmo erro” cometido por Jair Bolsonaro. O ex-presidente voltou ao país em 2023, após passar três meses na Flórida, e acabou preso pouco mais de dois anos depois. Quanto ao mandato parlamentar, Flávio disse que pretende acompanhar as sessões do Senado remotamente sempre que essa modalidade estiver disponível.
O senador também falou sobre a reação de integrantes da oposição após a divulgação de uma carta a respeito do resultado das eleições. Conforme seu relato, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, fizeram declarações públicas por temerem possíveis retaliações.
Na discussão sobre a sucessão presidencial, Flávio afirmou que Tarcísio de Freitas tem legitimidade para lançar seu nome à Presidência da República em 2030. O senador disse que também poderá disputar o cargo, desde que obtenha o apoio do PL. Ele ressaltou, entretanto, que o cenário mudaria caso Jair Bolsonaro recuperasse os direitos políticos: nessa hipótese, segundo Flávio, o ex-presidente seria o candidato do grupo.








