O Tribunal Superior da Inglaterra e País de Gales agendou uma audiência para os dias 5 e 6 de outubro com o objetivo de deliberar sobre a representação jurídica dos atingidos pela tragédia de Mariana, ocorrida em novembro de 2015, e que está atualmente em tramitação na corte inglesa. A convocação foi feita por uma decisão do juiz Justice Constable, que rejeitou o pedido de suspensão do processo apresentado pelo escritório Bailey Glasser International (BGI). A medida visa esclarecer questões relativas à autoridade e à legitimidade dos escritórios de advocacia envolvidos na ação contra a mineradora BHP, responsável pelo rompimento da barragem do Fundão, que resultou em uma das maiores tragédias ambientais do Brasil.
A controvérsia central gira em torno da tentativa do BGI de ampliar sua representação para além dos 17 integrantes do Comitê de Clientes do Litígio de Mariana. Esse comitê foi criado para representar os interesses dos milhares de atingidos pelo desastre. Em 2 de setembro de 2026, o escritório Pogust Goodhead (PG), que inicialmente ingressou na ação na Justiça da Inglaterra representando centenas de milhares de vítimas há mais de oito anos, entrou com uma ação questionando a validade da suposta rescisão dos contratos coletivos de honorários e contestando a contratação do BGI por suposta falta de autoridade e de justa causa para atuar na causa.
Em resposta a essa movimentação, em 4 de setembro, o presidente do Comitê de Clientes de Mariana entrou com uma ação judicial buscando reconhecer a validade da troca de representação para o BGI. A disputa interna gerou um conflito jurídico, levando o BGI a solicitar a suspensão do processo principal, alegando que a questão de representação deveria ser resolvida antes do andamento da ação contra a BHP.
Por sua vez, o Pogust Goodhead manifestou-se contra a suspensão, argumentando que essa medida poderia comprometer os prazos processuais e prejudicar os atingidos. O escritório ressaltou a importância de manter o ritmo do processo para evitar atrasos adicionais para as vítimas, que aguardam há quase 11 anos por uma resolução definitiva.
Na decisão, o juiz Justice Constable negou o pedido de suspensão do processo principal, reforçando que não há qualquer decisão que reconheça a transferência geral dos clientes do Pogust Goodhead para o BGI. A ordem judicial estabeleceu que a audiência marcada para os dias 5 e 6 de outubro será exclusivamente dedicada a analisar a questão da autoridade e da notificação de mudança de representação, com o objetivo de determinar qual escritório representa efetivamente os autores da ação.
Após a divulgação do despacho, o Pogust Goodhead emitiu nota oficial avaliando a decisão como um avanço importante para o andamento do processo. A CEO do escritório, Alicia Alinia, afirmou que a decisão do tribunal representa uma vitória significativa para os clientes, pois impede atrasos e garante a continuidade do cronograma processual. Ela destacou ainda que, após quase 11 anos de espera, a prioridade é oferecer clareza e transparência na resolução do caso, evitando novas indefinições.
O Pogust Goodhead também reforçou sua posição de que o Comitê de Clientes não possui prerrogativa legal para alterar a representação dos atingidos sem a devida autorização judicial. A reportagem entrou em contato com o BGI, que até o momento não se manifestou oficialmente sobre a decisão, mantendo o espaço aberto para uma manifestação futura.





