A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta sexta-feira (11), um mandado de busca e apreensão em Belo Horizonte, no âmbito de uma investigação que apura ameaças direcionadas à deputada estadual Lohanna França (PV). O suspeito, cuja identidade não foi revelada, está sob investigação devido a ameaças feitas contra a parlamentar e outras representantes femininas, além de possuir antecedentes criminais relacionados a esse tipo de delito.
De acordo com informações da própria PF, o indivíduo já havia sido preso preventivamente em Olinda, Pernambuco, em maio de 2024. Na ocasião, ele foi detido sob suspeita de ter feito ameaças de estupro e morte contra as deputadas Bella Gonçalves (PT), Beatriz Cerqueira (PT) e Lohanna França. Apesar de ter sido condenado a 12 anos de prisão, o suspeito estava em liberdade desde 20 de junho do mesmo ano, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, o que demonstra a complexidade do caso e a necessidade de acompanhamento constante.
As ameaças contra Lohanna França se intensificaram após ela divulgar, em julho, novas mensagens recebidas por e-mail, nas quais o suspeito ameaçava sua integridade física e expunha seus dados pessoais. Segundo a deputada, as mensagens estavam relacionadas ao exercício de seu mandato parlamentar e ao uso de dispositivos de segurança, como o botão do pânico, que ela passou a utilizar após o suspeito mudar para o regime semiaberto. Lohanna afirmou que as ameaças representam um grave risco à sua segurança e à de outras mulheres na política, destacando a dificuldade de exercer cargos públicos em um ambiente marcado por violência e intimidação.
A parlamentar expressou sua preocupação e indignação em um vídeo divulgado nas redes sociais, afirmando que “não dá para a gente fazer com que as mulheres decidam entre falar, fazer, se posicionar, disputar a vida pública ou ficar vivas”. Ela reforçou que as ameaças têm impacto direto na liberdade de atuação de mulheres na política e na sua própria segurança pessoal.
Caso seja confirmada a participação do suspeito na operação da PF nesta sexta-feira, ele poderá responder pelo crime de ameaça, previsto no exercício da função parlamentar, com pena de até quatro anos de reclusão, além de multa. Essa ação reforça o compromisso das autoridades brasileiras em combater a violência política e proteger representantes eleitas, especialmente em um momento de crescente intolerância e ameaças a figuras públicas.
Além de Lohanna França, outras parlamentares e candidatas mineiras também denunciaram terem sido vítimas de ameaças. Duda Salabert (PSOL) relatou ter sido perseguida, ameaçada de morte e agredida por três homens durante uma fiscalização relacionada a uma possível extração ilegal de minério na Serra do Curral, na madrugada de 4 de maio. A candidata à Câmara dos Deputados e influenciadora Ana Elisa (PT) também usou suas redes sociais para relatar que recebeu ameaças racistas de morte e de estupro por e-mail, no sábado (5). Ainda na mesma semana, a deputada estadual Bella Gonçalves denunciou ameaças de morte e estupro, além de ter seu comitê de campanha vandalizado na capital mineira. Na quarta-feira (9), a deputada federal Andreia de Jesus (PT) revelou ter sido vítima de ameaças racistas de morte, reforçando o clima de insegurança que tem atingido diferentes representantes políticos no estado.
As ações da Polícia Federal nesta sexta-feira representam uma resposta às crescentes ameaças e agressões contra mulheres e políticos em Minas Gerais, evidenciando a necessidade de reforçar a segurança e o combate à violência de gênero e política no país.








