O PDT e o PSDB trabalham juntos na interlocução por Minas Gerais, avançando na possibilidade de costurar uma chapa ao governo do estado por meio de tratativas diretas entre os presidentes nacionais, Carlos Lupi (PDT) e Aécio Neves (PSDB). O movimento aponta para uma aproximação entre as siglas em um cenário mineiro ainda sem confirmação oficial de palanque conjunto ou de qual chapa deverá liderar a disputa eleitoral.
O ex-prefeito de Belo Horizonte e atual pré-candidato ao Palácio Tiradentes pelo PDT, Alexandre Kalil, participa de conversas diretas com Aécio Neves e mantém contatos com representantes tucanos no estado para uma eventual aliança, atitude que contrasta com declarações anteriores e ataques que dirigiu ao líder do PSDB. A participação de Kalil nesses diálogos sugere uma leitura mais prática do cenário político mineiro, no qual alianças podem surgir ao longo da campanha, com foco na viabilidade de uma agenda comum capaz de mobilizar diferentes núcleos de apoio.
Durante a convenção partidária realizada neste domingo (26), Lupi disse ser “amigo pessoal” do presidente nacional do PSDB e ressaltou que existem “muitas hipóteses de alianças” em Minas, inclusive com os tucanos. Em discurso voltado a sinalizar união entre as siglas, o dirigente reforçou: “O Aécio é meu amigo pessoal; nunca tive problema com ele, pelo contrário. Nós já estivemos juntos em várias oportunidades. O palanque nacional já está firmado, o PDT vai apoiar o presidente Lula, já anunciamos isso oficialmente. E aqui no estado, o Kalil vai seguir com a sua campanha. O compromisso que ele pediu é justamente esse: ele quer fazer a campanha dele. Então, ele vai conduzir a campanha dele com os aliados que forem convenientes para ajudar a sua eleição.”
Contexto histórico de Kalil versus Aécio Neves
A aproximação recente com Aécio Neves contrasta com a trajetória pública de Kalil, que, no passado, direcionou críticas contundentes ao tucano. Na campanha para a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2016, Kalil enfrentou o então candidato João Leite (PSDB), apoiado por Aécio. Ao longo daquele pleito, ele adotou tom duro contra o parlamentar, questionando se Aécio poderia servir como referência moral e chegando a mandar o adversário “para o inferno” em diversos momentos de debates e inserções na televisão e no rádio.
Após vencer o segundo turno, Kalil foi questionado pela imprensa sobre a disposição de dialogar com o tucano. Ele rebateu dizendo que tinha “o direito de escolher” com quem conversar. Pouco tempo depois, o então prefeito gravou vídeos para as redes sociais rebatendo ataques tucanos e, numa linha mais agressiva, chegou a insinuar que Aécio Neves poderia ser preso, aludindo às suspeitas de superfaturamento associadas à construção da Cidade Administrativa — sede do governo de Minas Gerais na região norte de Belo Horizonte. Em 2018, Kalil também fez críticas severas a Aécio Neves, ao mencionar as gravações da empresa JBS envolvendo o senador como “conteúdo imundo”.
Com o atual movimento de aproximação entre PDT e PSDB, observa-se uma mudança de postura de Kalil, que até pouco tempo atrás afirmava não desejaria dialogar com o líder tucano. A leitura entrelinhas aponta para uma estratégia que privilegia a viabilidade de alianças que possam ampliar a base de apoio para a campanha em Minas, ainda que sem confirmação oficial sobre o formato de palanque ou de chapa vencedora. O cenário, portanto, permanece em aberto, com as siglas mantendo canais de interlocução ativos e avaliando potenciais convergências que possam viabilizar tanto o projeto estadual quanto as parcerias nacionais já anunciadas.









