O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adiar as decisões sobre a composição ministerial de seu quarto mandato até o retorno de uma viagem internacional à Turquia e às Filipinas. A previsão é que o presidente volte ao Brasil em 16 de novembro e, somente depois disso, concentre-se nas conversas para definir os nomes que formarão a nova equipe de governo, com início previsto para janeiro de 2027.
Segundo pessoas próximas ao presidente, Lula ainda não começou formalmente as discussões sobre os integrantes do próximo ministério. Apesar disso, integrantes do governo e partidos aliados já atuam nos bastidores em busca de espaço na Esplanada dos Ministérios. A disputa envolve tanto a permanência de nomes que já ocupam cargos quanto a indicação de novos integrantes para áreas consideradas estratégicas.
A tendência é que as primeiras decisões estejam relacionadas à Casa Civil e ao Ministério da Fazenda. As duas pastas são consideradas centrais para a articulação política e administrativa do governo e para a condução da política econômica. Por isso, a escolha dos titulares deve ser acompanhada de perto por aliados, partidos e pelo mercado financeiro.
Casa Civil e Fazenda concentram principais disputas
Para a Casa Civil, os nomes mais citados são o do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o do senador Camilo Santana (PT-CE), que já comandou o Ministério da Educação. A pasta é responsável pela coordenação das ações do governo e pela articulação entre os ministérios, o que torna sua chefia uma das posições mais relevantes da estrutura federal.
Haddad também aparece entre os cotados para retornar ao Ministério da Educação, órgão que comandou durante o primeiro governo Lula. Outra possibilidade é sua indicação para o Ministério da Justiça. Nesse caso, a avaliação considera sua atuação à frente da equipe econômica, especialmente iniciativas da Receita Federal voltadas ao enfrentamento do crime organizado.
Para o comando da equipe econômica, estão entre os nomes considerados o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). A eventual escolha de Fonteles, no entanto, enfrenta resistência no mercado financeiro. O setor avalia que sua indicação poderia sinalizar que os ajustes fiscais necessários ao governo não serão realizados ou ocorrerão de forma limitada.
Desde que Lula venceu o segundo turno, o Ibovespa caiu 17%, chegando a 169,1 mil pontos. No mesmo período, o dólar avançou de R$ 4,98 para R$ 5,38. Esses movimentos passaram a integrar as avaliações sobre a futura composição da equipe econômica e sobre os rumos da política fiscal.
Outros ministros podem permanecer no governo
Além das mudanças nas áreas consideradas prioritárias, também são avaliadas possibilidades de permanência de integrantes do atual governo. Entre os nomes citados estão Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Alexandre Padilha, da Saúde; Bruno Moretti, do Planejamento; e a ex-ministra Gleisi Hoffmann.
A segurança pública deve ocupar posição de destaque entre as prioridades do próximo governo. O tema ganhou força durante a campanha da oposição e expôs a dificuldade histórica do PT em construir um discurso considerado consistente nessa área. A escolha para o Ministério da Justiça, portanto, é tratada como uma das decisões relevantes da montagem ministerial.
Fernando Haddad é um dos nomes cotados para comandar a pasta. Ele foi derrotado ainda no primeiro turno da disputa pelo governo de São Paulo. Além da Justiça, Haddad é mencionado para a Casa Civil e para a Educação, embora, no caso da primeira pasta, apareça com menos força que Camilo Santana.
Viagens internacionais antecedem montagem do novo governo
Lula deve embarcar em 9 de novembro para Antália, na Turquia, onde participará da COP 31, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Depois, fará uma visita de Estado às Filipinas, a partir de 13 de novembro.
Nos dias 14 e 15, está prevista a participação brasileira na cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático. A expectativa de aliados é que, após cumprir essa agenda internacional e retornar ao Brasil em 16 de novembro, o presidente volte sua atenção para a definição dos ministros que integrarão o governo iniciado em janeiro de 2027.









