Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (11), revelou que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) não teve impacto significativo na preferência eleitoral de mais de 80% dos eleitores brasileiros. O levantamento aponta que as revelações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes, bem como às acusações contra o ministro André Mendonça, não alteraram a intenção de voto de 85% e 86% dos entrevistados, respectivamente. Além disso, apenas 7% dos eleitores afirmaram que ficaram em dúvida sobre em quem votar após os episódios, enquanto 4% disseram ter mudado de candidato de forma efetiva.
A pesquisa ouviu um total de 2.002 eleitores em 125 municípios do país, entre os dias 8 e 10 de novembro, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O alto grau de conhecimento sobre o tema é evidente: 66% dos entrevistados afirmaram estar cientes da crise, sendo que 26% se disseram bem informados. Quanto às suspeitas envolvendo o ministro André Mendonça, 45% dos entrevistados disseram conhecer o conteúdo das acusações, com 22% alegando estar altamente informados.
A controvérsia no STF teve início em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório contendo detalhes das relações do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Entre as informações divulgadas, destaca-se um contrato de R$ 131 milhões entre Vorcaro e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, além de relatos da Polícia Federal (PF) indicando que o banqueiro enviou mensagens ao ministro questionando a possibilidade de deixar o país para evitar uma prisão. Não há registros de Moraes tendo respondido às mensagens.
Relatórios da Polícia Federal também indicam que Moraes e Vorcaro mantinham contato frequente, com ao menos seis encontros presenciais ocorridos entre 2024 e 2025. Esses registros sugerem que o ministro teria orientado o empresário em diversas ocasiões e participado do planejamento de eventos promovidos pelo Banco Master. Um exemplo dessa relação foi uma mensagem de Vorcaro, em abril de 2024, mencionando a organização de um evento exclusivo com Moraes em Londres. Em novembro de 2025, o banqueiro afirmou à filha estar “com Alexandre Moraes”. O último contato rastreado aconteceu às 20h48 do dia 17 de novembro daquele ano, quando Vorcaro enviou uma mensagem dizendo estar “online” para assinar com investidores estrangeiros. Horas depois, ele foi preso preventivamente no Aeroporto Internacional de Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai.
Diante do desgaste causado pelos episódios, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, agendou para a próxima terça-feira (15) uma sessão presencial do plenário para discutir o caso. A reunião será a primeira oportunidade para que todos os dez ministros analisem coletivamente o impasse, que envolve questões relativas à legalidade de uma ordem do ministro Mendonça que levou à análise do celular de Vorcaro, à validade do material obtido pela Polícia Federal e ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o procedimento investigativo. A expectativa é de que os debates possam esclarecer o andamento das investigações e o impacto político do episódio.







