A Polícia Federal (PF) apresentou uma detalhada linha do tempo dos contatos estabelecidos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações constam de um relatório sobre a produção da cinebiografia, cuja confidencialidade foi retirada na última sexta-feira (11) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Segundo o documento, os investigadores identificaram que Flávio Bolsonaro não apenas atuou como um terceiro mencionado nas negociações, mas também manteve uma interlocução direta com Vorcaro, ex-banqueiro, com o objetivo de viabilizar recursos financeiros para a produção do longa. A investigação aponta que o senador teria desempenhado um papel ativo na busca por apoio financeiro, inclusive participando de reuniões presenciais e acompanhando de perto o cronograma das gravações. Essa atuação se dá em um contexto de maior atenção às possíveis irregularidades na captação de recursos para a cinebiografia, que tem como foco a trajetória de Jair Bolsonaro.
Um dos elementos mais relevantes do relatório é a menção ao valor previsto na planilha de custos do filme, que estimava um cachê de US$ 4 milhões (aproximadamente R$ 20,48 milhões na cotação vigente na época) para o ator Jim Caviezel, responsável por interpretar Bolsonaro. Este valor é comparável ao que Joaquin Phoenix recebeu por interpretar o personagem Coringa no filme homônimo, que arrecadou cerca de US$ 4,5 milhões na estreia. O montante demonstra a magnitude do investimento financeiro envolvido na produção, o que reforça a importância das negociações em torno do financiamento.
Flávio Bolsonaro inicialmente negou ter solicitado recursos ao ex-banqueiro Vorcaro, mas posteriormente admitiu ter feito tal pedido. O senador tentou minimizar sua participação, alegando que os contatos com Vorcaro tiveram caráter privado e estavam relacionados à captação de patrocínios para o filme. Em suas palavras, tratava-se de “um filho buscando dinheiro para patrocinar o filme do pai”. Ele também afirmou que não recebeu qualquer valor diretamente e que não houve irregularidades em suas ações.
A investigação da PF indica que a atuação de Flávio incluiu não apenas cobranças de repasses atrasados, mas também reuniões presenciais, mesmo enquanto Vorcaro estava em prisão domiciliar sob monitoramento eletrônico. De acordo com Flávio, a reunião ocorrida em maio deste ano teve como objetivo encerrar a relação entre os dois, embora essa versão não tenha sido confirmada oficialmente na documentação da polícia.
Além de Flávio Bolsonaro, o inquérito que investiga o financiamento do filme inclui outros nomes ligados ao caso, como o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atuou como ator e produtor executivo de “Dark Horse”. Ambos também são alvo de investigação por supostas irregularidades relacionadas ao financiamento da cinebiografia.
Em julho, Flávio Bolsonaro foi formalmente incluído em um inquérito que apura sua participação na captação de recursos para o filme, ampliando o escopo das investigações que buscam esclarecer os detalhes do financiamento e possíveis irregularidades envolvendo figuras próximas ao senador e ao círculo do ex-presidente Jair Bolsonaro.








