O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou uma notícia de fato junto à Polícia Federal solicitando a abertura de um inquérito para apurar a possível divulgação de um documento falso atribuído à corporação, que teria sido compartilhado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A iniciativa visa esclarecer a autenticidade de uma imagem amplamente difundida nas redes sociais, que, segundo análise técnica anexada ao pedido, apresenta indícios de falsificação.
Conforme a representação, um laudo técnico detalhado aponta que a imagem compartilhada por Ferreira não corresponde ao relatório oficial da Polícia Federal. O documento supostamente divulgado mostra a página 156 de um relatório de 218 páginas, porém, a análise revela que, na versão oficial, essa página trata de pagamentos relacionados a um escritório de advocacia e não possui qualquer relação com o conteúdo divulgado nas redes sociais. Essa discrepância de conteúdo é um dos principais elementos que levantaram suspeitas de falsificação.
Além da divergência no conteúdo, o laudo técnico também destaca inconsistências na paginação do documento. A suposta página, que apresenta trechos de conversas envolvendo Nikolas Ferreira, não condiz com a estrutura do relatório oficial, pois a seção 7 do relatório original começa apenas na página 216. Essa discrepância reforça a hipótese de que a imagem compartilhada não é uma reprodução fiel do documento oficial, levantando dúvidas sobre sua autenticidade.
A análise também aponta inconsistências de ordem cronológica, textual e formal, que, segundo Rogério Correia, reforçam a necessidade de uma investigação aprofundada. O parlamentar afirma que Nikolas Ferreira publicou a imagem em seus perfis oficiais no Instagram e na rede social X, o que motivou a representação à Polícia Federal. Ele solicita que a autoridade policial apure se o deputado participou da produção do documento ou tinha conhecimento prévio de sua falsidade antes de divulgá-lo publicamente.
O pedido de investigação inclui ainda a identificação dos responsáveis pela criação e circulação do material, a preservação de registros digitais das plataformas onde o conteúdo foi divulgado, a realização de perícia no arquivo e oitiva dos envolvidos no caso. Além disso, Rogério Correia solicita que os resultados da apuração sejam encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), para que sejam analisadas possíveis responsabilidades nas esferas criminal e eleitoral.
Até o momento, Nikolas Ferreira não se manifestou oficialmente sobre a representação apresentada à Polícia Federal. A controvérsia envolvendo a autenticidade do documento e sua circulação nas redes sociais evidencia a complexidade de casos de fake news no cenário político atual, além de reforçar a importância de investigações rigorosas para esclarecer a origem e a veracidade de materiais compartilhados por figuras públicas.








