O senador Carlos Viana (PSD-MG) manifestou confiança de que conseguirá reunir as assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as supostas conexões de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com lobistas e empresários. O parlamentar protocolou o pedido de criação da comissão na última quinta-feira, dia 20, e afirmou que a investigação deve prosseguir mesmo durante o período eleitoral, ressaltando que, para sua instalação, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.
Viana destacou a gravidade do tema, reforçando que o Congresso não pode permitir que as denúncias percam força. Ele também acusou setores da base governista de se mobilizarem contra a criação da CPMI, alegando que há resistência por parte do governo e da esquerda. O senador declarou que possui plena confiança de que, com o apoio dos parlamentares, a comissão será instalada, citando como exemplo a CPMI do INSS, na qual afirmou que os parlamentares demonstraram compreensão da expectativa da população por investigações sérias e transparentes diante de escândalos de corrupção.
Na avaliação de Viana, a resistência à CPMI se dá pelo receio de que ela possa esclarecer as relações entre Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger, lobistas e empresários ligados ao setor privado. Ele afirmou que setores do governo e da esquerda não desejam que essas investigações avancem, comparando a resistência atual à que ocorreu na CPMI do INSS.
Caso a CPMI seja efetivamente instalada, o senador defende que o primeiro depoimento seja do secretário do presidente Lula, identificado por ele como “Marcola”. Viana explicou que o auxiliar foi afastado após o início das investigações pela Polícia Federal, e que seu depoimento seria fundamental para esclarecer quem tinha conhecimento das supostas irregularidades, qual foi a extensão dessas relações, e por que ele teria facilitado o acesso de pessoas ao governo, além de questões relacionadas a empréstimos e joias adquiridas por Roberta Luchsinger em nome do secretário.
Posteriormente, Viana pretende convocar Roberta Luchsinger e Lulinha para depoimentos na CPMI. Além disso, defende a quebra de sigilos bancários e fiscais de todos os envolvidos na investigação, incluindo o filho do presidente, alegando que há muitas declarações a serem feitas por esses investigados.
A iniciativa do senador ocorre em meio a uma controvérsia gerada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu o encaminhamento das investigações à primeira instância da Justiça. Segundo a PGR, até o momento, não há autoridade com prerrogativa de foro entre os investigados. Viana interpreta essa orientação como uma tentativa de enfraquecer a apuração, criticando a postura da Procuradoria e acusando uma movimentação para “blindar” o caso, além de questionar a condução das investigações pela Polícia Federal. Ele afirmou que o Congresso deve atuar de forma independente do calendário eleitoral para avançar nas apurações.
O pedido de CPMI apresentado por Viana visa investigar possíveis relações entre Lulinha, Roberta Luchsinger e pessoas ligadas ao governo federal, incluindo suspeitas de tráfico de influência e irregularidades em contratos públicos. O senador sustenta que a comissão deve esclarecer a extensão dessas relações e identificar eventuais responsabilidades, reforçando a importância de uma investigação aprofundada diante das denúncias que envolvem o filho do presidente e seus contatos com empresários e lobistas.








