Um estudo de grande escala realizado pela primeira vez comparou os riscos de eventos cardiovasculares graves e mortalidade entre homens que iniciaram terapia com testosterona com ou sem diagnóstico de hipogonadismo, condição em que o organismo produz níveis insuficientes do hormônio. Os resultados indicam que o uso do hormônio sem indicação médica adequada eleva significativamente esses riscos, reforçando a importância de uma prescrição criteriosa e acompanhada por profissionais de saúde.
A pesquisa, publicada em 9 de julho na revista científica eBioMedicine, acompanhou cerca de 360 mil homens entre 30 e 75 anos durante um período de até 10 anos. Desses, aproximadamente 35,4% não apresentavam evidências clínicas de deficiência hormonal, ou seja, iniciaram a terapia sem diagnóstico confirmado de hipogonadismo. Para garantir a validade dos resultados, os pesquisadores compararam homens com características semelhantes, levando em consideração fatores como idade, peso, pressão arterial e histórico de doenças prévias, formando pares de participantes que foram acompanhados ao longo do estudo.
Os dados revelaram que homens que começaram a usar testosterona sem indicação clínica apresentaram um risco 51% maior de sofrerem eventos cardiovasculares graves, como infarto do miocárdio ou AVC, em comparação com aqueles que utilizavam o hormônio por indicação adequada. Além disso, o risco de morte por qualquer causa foi 90% maior nesse grupo. Também houve aumento na incidência de AVC isquêmico, parada cardíaca e insuficiência cardíaca entre os usuários não indicados.
Segundo os autores, esses resultados reforçam que a segurança da reposição de testosterona depende de uma indicação médica correta. A terapia com testosterona é recomendada principalmente para homens com hipogonadismo confirmado por sintomas e exames laboratoriais que demonstrem a deficiência do hormônio. Quando utilizada nesses casos, o objetivo é restabelecer níveis hormonais normais e reduzir os sintomas associados à condição.
Nos últimos anos, entretanto, há uma tendência crescente de uso da testosterona por homens que não apresentam deficiência hormonal, muitas vezes com o intuito de ganhar massa muscular ou melhorar o desempenho físico. Essa prática, embora comum, tem sido questionada por especialistas devido aos potenciais riscos à saúde, especialmente no que diz respeito à saúde cardiovascular.
Os autores destacam que, embora o estudo seja observacional e não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento reforçam a evidência de que o uso indevido da testosterona pode estar associado a um aumento do risco de eventos adversos. Por isso, reforçam a necessidade de que a prescrição do hormônio seja fundamentada em critérios clínicos e laboratoriais rigorosos, além de recomendar acompanhamento contínuo dos fatores de risco cardiovascular durante o tratamento.
Em síntese, o estudo evidencia que a administração de testosterona sem a devida indicação médica aumenta consideravelmente o risco de problemas cardiovasculares e morte, reforçando a importância de orientações profissionais e o uso responsável do hormônio.







