A região Oeste de Belo Horizonte enfrenta uma crise no abastecimento de água que atinge aproximadamente 45.298 imóveis distribuídos em 43 bairros, devido a obras de remanejamento de uma adutora de grande porte na rua Xapuri, no bairro Nova Granada. A interrupção, que começou há sete dias, foi ocasionada pelo rompimento de uma tubulação subterrânea ocorrido em 19 de agosto, sob uma residência no bairro Nova Granada, levando à interdição do imóvel e à necessidade de intervenções emergenciais por parte da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
Segundo informações da concessionária, o fornecimento de água deve ser restabelecido de forma gradual até as 6 horas do domingo, 6 de setembro. A previsão, inicialmente prevista para o dia seguinte, foi adiada na tarde de sexta-feira, 4 de setembro, em nota oficial que destaca o esforço contínuo das equipes que atuam em regime de plantão, realizando trabalhos diurnos e noturnos para acelerar a conclusão das obras. A complexidade da intervenção, devido à extensão da área afetada, faz com que a recuperação total do sistema seja progressiva, com a expectativa de normalização total do abastecimento ao longo do domingo.
O impacto da falta de água é significativo na rotina dos moradores e na economia local. Maria Aparecida Sima Froes, professora de 66 anos que reside no bairro Betânia, relata que a interrupção total do serviço, que já dura sete dias, tem causado transtornos e despesas extras. Ela explica que, devido ao esgotamento da reserva de água em sua residência, a família tem recorrido ao consumo de água de caixas d’água e tem optado por fazer refeições fora de casa, gerando custos adicionais. Além disso, a situação afeta também os negócios da região. Uma amiga de Maria, proprietária de um restaurante no bairro Betânia, enfrenta dificuldades ainda maiores, tendo que adquirir água mineral para manter o funcionamento do estabelecimento, o que aumenta consideravelmente os custos operacionais.
A crise no abastecimento está diretamente relacionada às obras de remanejamento da adutora, que visam solucionar uma ruptura anterior. A tubulação rompida, localizada sob uma residência, foi considerada uma emergência pela Copasa, que mobilizou mais de 30 caminhões-pipa para atender às necessidades prioritárias de hospitais, postos de saúde e escolas na região. A companhia informa que imóveis com caixas d’água podem não ser tão afetados quanto os demais, devido ao armazenamento de água.
A situação tem provocado reações políticas e institucionais. A deputada estadual Lohanna (PV) encaminhou um ofício à Copasa e ao governo de Minas Gerais cobrando esclarecimentos sobre as causas do desabastecimento, as ações que estão sendo tomadas para resolver o problema e as medidas preventivas para evitar recorrências. A parlamentar também solicitou informações detalhadas sobre o andamento das obras e o cronograma de recuperação.
Outra representante do Legislativo, a deputada Beatriz Cerqueira (PT), protocolou pedidos junto ao Ministério Público de Minas Gerais e à Defensoria Pública, solicitando ações urgentes para a retomada do fornecimento de água. Ela destacou que a crise ultrapassou o mero desconforto doméstico, afetando serviços essenciais como escolas, unidades de saúde e atividades comerciais, além de comprometer o bem-estar da população. Relatórios indicam que escolas estaduais e municipais tiveram aulas suspensas, centros de saúde operaram com ajuda de caminhões-pipa e procedimentos médicos foram reagendados, evidenciando a gravidade da situação.








