O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu nesta sexta-feira (11) um prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça remova o sigilo que recobre a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, administrado por Daniel Vorcaro. A decisão ocorreu após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou que parte significativa dos procedimentos relacionados à investigação permanecia sob sigilo, mesmo após o ministro Mendonça ter tornado públicos alguns documentos.
A solicitação da PGR foi feita na manhã desta sexta-feira, quando o órgão afirmou que a divulgação parcial pelo ministro André Mendonça deixou de fora diversos elementos relevantes, dificultando a compreensão integral do caso. Em resposta, Fachin determinou que o sigilo fosse completamente retirado no prazo de um dia, reforçando a necessidade de transparência na condução do processo.
A controvérsia envolvendo a divulgação dos procedimentos ganhou ainda mais destaque com a manifestação do ministro Alexandre de Moraes, também do STF. Moraes acusou Mendonça de praticar uma “seletividade” na liberação de informações e solicitou ao presidente do tribunal que todo o sigilo do caso seja imediatamente levantado. Segundo Moraes, Mendonça teria selecionado subjetivamente quais documentos poderiam ser tornados públicos, o que, na visão do ministro, compromete a imparcialidade e a integridade do procedimento.
Moraes criticou a postura de Mendonça ao apontar que, nos procedimentos relacionados à Petição 15.556, o sigilo foi parcialmente levantado, excluindo 180 documentos, o que dificultou a análise probatória e gerou questionamentos sobre a transparência do processo. A manifestação do ministro ocorre em um momento de tensão no tribunal, pois está marcada para a próxima terça-feira (15) uma sessão do plenário do STF para avaliar se o ministro André Mendonça deve ser investigado por suas relações com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
As investigações apontam que Moraes tinha uma relação próxima com Vorcaro, com quem teria mantido pelo menos seis encontros entre 2024 e 2025, incluindo reuniões em Londres e contatos pessoais, além de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro. Segundo a Polícia Federal (PF), Vorcaro enviou uma mensagem ao ministro pouco antes de sua prisão preventiva, ocorrida em novembro de 2025, indicando que estava em processo de assinatura com investidores internacionais. Na mesma noite, Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A sessão do dia 15 de setembro será a primeira oportunidade na qual os ministros do STF discutirão coletivamente a controvérsia que envolve o sigilo, a legalidade das ações de Mendonça na análise do celular de Vorcaro, a validade do material produzido pela Polícia Federal e o pedido da PGR para anular o procedimento. O desfecho dessas questões é considerado crucial para o entendimento do andamento das investigações e da transparência dos atos do tribunal no caso.









