Pesquisadores do Instituto de Pesquisa e Aquário da Baía de Monterey (MBARI) registraram uma rara aparição do peixe olho-de-barril (Macrobina microstoma), uma das espécies mais incomuns encontradas nas profundezas do oceano. O animal foi avistado a cerca de 600 metros de profundidade, no México, e permaneceu próximo à equipe por aproximadamente 20 minutos, tempo suficiente para a produção de imagens em diferentes condições de iluminação, incluindo registros com uma câmera de realidade virtual.
O peixe chama atenção principalmente pela cabeça transparente, que permite observar seus grandes olhos tubulares. Os globos oculares têm uma coloração verde e podem girar dentro da estrutura transparente. Essa movimentação, segundo os pesquisadores, seria visível justamente por causa da transparência da cabeça do animal.
A espécie vive na chamada zona crepuscular do oceano, faixa localizada entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Nesse ambiente, a luz do Sol diminui rapidamente, criando condições de baixa luminosidade e temperaturas frias para muitas espécies marinhas.
A pigmentação verde dos olhos desempenha um papel importante nesse cenário. Ela ajuda o peixe a diferenciar a luz natural da luz produzida por organismos bioluminescentes. Os olhos grandes e móveis, combinados com a cúpula transparente que protege a cabeça, estão entre as características mais marcantes do peixe olho-de-barril.
De acordo com Kyra Schlining, do MBARI, encontrar um animal tão raro durante uma expedição é sempre uma experiência significativa. A observação também foi considerada especial porque a última vez que a equipe havia registrado um peixe-barril tinha sido em 2021, antes de os pesquisadores contarem com câmeras 4K.
Encontro ocorreu durante pesquisa sobre animais gelatinosos
A expedição não tinha como objetivo localizar o peixe. A equipe do MBARI havia passado oito dias investigando como animais gelatinosos se adaptam à vida em regiões profundas do oceano. Entre as amostras encontradas estavam águas-vivas, sifonóforos e ctenóforos.
Quando os pesquisadores já retornavam ao laboratório para catalogar o material coletado naquele dia, receberam a informação de que um peixe olho-de-barril havia sido localizado. A equipe então se deslocou rapidamente até o ponto indicado, levando os equipamentos necessários para registrar o animal.
A permanência do peixe nas proximidades dos pesquisadores permitiu a obtenção de imagens de vários ângulos. O tempo prolongado de observação também ajudou a equipe a analisar melhor o comportamento da espécie e a forma como seus olhos se movimentam em um ambiente com pouca luz.
Apesar de existirem hipóteses de que a cabeça transparente e os olhos tubulares auxiliem o animal a localizar e capturar presas, os cientistas ainda não compreendem completamente a função dessas estruturas. Steven Haddock, também do MBARI, afirmou que ainda não está claro exatamente o que o peixe procura ao girar os olhos nem qual é a função específica da pigmentação verde nas lentes.
Durante o encontro, o animal permaneceu praticamente imóvel. Utilizando suas grandes nadadeiras planas, ele conseguiu se manter parado enquanto os olhos verdes percorriam a área em busca de sinais no ambiente. Para Haddock, os movimentos observados pareciam ocorrer quase como em uma filmagem em câmera lenta.
A observação prolongada ofereceu aos pesquisadores uma oportunidade incomum de entender como o peixe olho-de-barril se comporta e percebe o mundo nas profundezas. Embora o registro não responda completamente como a espécie enxerga, ele amplia o conhecimento sobre um animal raro, cuja presença dificilmente é observada em expedições científicas.








