Antes de se firmar como atacante do Cruzeiro e se destacar entre os principais centroavantes do futebol brasileiro, Kaio Jorge enfrentou uma rejeição que poderia ter mudado o rumo de sua carreira. Ainda na infância, o jogador foi aprovado em campo durante um período de testes no São Paulo, mas acabou descartado pela avaliação de que não teria altura suficiente para evoluir no futebol. Anos depois, ele relembrou o episódio em entrevista ao Podpah e afirmou, em tom irônico, que o clube paulista pode ter se arrependido da decisão.
Natural de Olinda, em Pernambuco, Kaio Jorge deu os primeiros passos no futebol no Náutico. Naquele período, porém, o clube mantinha apenas uma estrutura voltada ao futsal, sem uma equipe de futebol de campo para a categoria do jovem. Por esse motivo, o atacante passou a defender o Sport, onde teve a oportunidade de atuar nos gramados e começou a chamar atenção rapidamente pelo desempenho.
A evolução no Sport fez com que Kaio Jorge e sua família buscassem uma oportunidade em um centro de maior projeção no futebol brasileiro. Com o incentivo do pai, o jogador decidiu tentar um teste em São Paulo. A viagem foi viabilizada por China, amigo da família que ajudou a levá-lo ao clube do Morumbi.
Na época, Kaio Jorge tinha entre 10 e 11 anos e permaneceu durante duas semanas em avaliação no São Paulo. Mesmo enfrentando jogadores cerca de três anos mais velhos, o atacante conseguiu apresentar um rendimento expressivo nos treinamentos e amistosos. Segundo o próprio jogador, ele marcou nove gols em apenas duas partidas.
O desempenho dentro de campo, no entanto, não foi suficiente para garantir sua permanência nas categorias de base do Tricolor. A comissão técnica avaliou que o garoto não cresceria o bastante e que sua estatura poderia prejudicar a continuidade da carreira. A justificativa surpreendeu o atacante, que esperava ser integrado ao clube depois dos resultados obtidos nos amistosos.
Em seu relato, Kaio Jorge afirmou que a intenção inicial do São Paulo era encaminhá-lo novamente ao Nordeste. Entre as possibilidades mencionadas estava a realização de um teste no Vitória, de Salvador. O jogador, porém, preferiu não retornar naquele momento e pediu ao pai que tentasse encontrar outra alternativa na própria capital paulista.
A nova chance apareceu por meio de uma ligação feita durante a estadia em São Paulo. O pai de Kaio Jorge conheceu o irmão de uma pessoa ligada à diretoria do Santos, contato que abriu caminho para uma avaliação no clube da Vila Belmiro. A experiência no Santos teve um desfecho diferente desde o primeiro dia.
Durante uma atividade conhecida como “bobinho”, Kaio Jorge foi chamado por Abel Veroni, ex-jogador do Santos. Inicialmente, o garoto interpretou a abordagem como uma possível repreensão e chegou a imaginar que tivesse cometido algum erro. Por isso, deixou a atividade e ficou aguardando o encerramento do treino, sem saber que sua participação estava sendo observada de outra maneira.
Abel Veroni havia percebido a qualidade técnica do atacante na atividade. Na sequência, o treinador Luciano conversou com Kaio Jorge e perguntou se ele gostaria de jogar pelo Santos. Após ouvir uma resposta afirmativa, comunicou ao jovem que ele estava aprovado. A análise feita durante o “bobinho” foi determinante para que o clube identificasse o potencial do jogador.
A aprovação no Santos acabou representando uma mudança importante na trajetória de Kaio Jorge. O episódio também ganhou um contraste marcante com a decisão tomada anteriormente pelo São Paulo: no clube paulista, mesmo com nove gols em dois amistosos, a preocupação estava relacionada à altura; no Santos, a qualidade demonstrada com a bola foi suficiente para assegurar sua continuidade na formação.
Ao recordar a situação atualmente, já como jogador profissional do Cruzeiro, Kaio Jorge trata a reprovação com bom humor. Depois de mencionar que foi recusado por uma avaliação sobre seu crescimento, o atacante provocou o São Paulo ao dizer que os responsáveis pela decisão “devem se arrepender até hoje”.








