A recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, onde se reuniu com autoridades para discutir tarifas sobre produtos brasileiros, gerou descontentamento entre empresários do setor produtivo. Os representantes do empresariado esperavam que o parlamentar adotasse uma abordagem mais técnica nas discussões, mas consideraram que ele perdeu a oportunidade de articular os interesses das empresas afetadas.
O setor produtivo brasileiro estava em busca de persuadir o governo dos Estados Unidos a não implementar novas tarifas sobre produtos nacionais. Contudo, a avaliação predominante entre os empresários é de que Flávio Bolsonaro não apresentou um diálogo técnico e fundamentado sobre as questões comerciais em pauta. Havia uma expectativa de que ele defendesse os interesses das empresas de forma mais abrangente, apresentando dados e informações sobre os impactos econômicos das tarifas, as cadeias produtivas que seriam afetadas e os riscos para consumidores e empresas de ambos os países.
Interlocutores que conversaram com a colunista da CNN, Tainá Falcão, destacaram que o senador manteve um tom político que já é característico de sua atuação no Brasil, ao invés de adotar um discurso mais técnico e informativo. Essa postura gerou críticas, mas não significa que os empresários estejam satisfeitos com a atuação do governo brasileiro. Há queixas de que a administração federal deixou o setor produtivo sem o suporte necessário para reverter os efeitos das tarifas, o que contribuiu para a insatisfação geral.
Embora a presença de observadores da embaixada brasileira em Washington tenha sido considerada positiva, muitos empresários a avaliaram como insuficiente para suprir a falta de articulação necessária para enfrentar o desafio das tarifas. Nesse contexto, a participação de Flávio Bolsonaro foi vista como pouco eficaz. Empresários acreditam que o senador deveria ter utilizado sua agenda para buscar apoio entre diferentes setores, em vez de direcionar seu discurso para uma audiência que já é favorável a ele.
Após a saída do senador da audiência, relatos indicam que a discussão retomou sua relevância, sugerindo que a contribuição dele foi percebida como um “lapso” em um momento que exigia uma argumentação econômica mais robusta. Para muitos no setor produtivo, a passagem de Flávio Bolsonaro pelos Estados Unidos poderia ter sido uma oportunidade para apresentar uma postura mais moderada e presidencial. No entanto, a avaliação é de que sua atuação reforçou a imagem de um político em campanha, em vez de um representante que atua em prol dos interesses do setor.
Essas críticas refletem uma insatisfação mais ampla com a falta de articulação e apoio por parte do governo brasileiro, que, segundo os empresários, não tem dado a devida atenção às necessidades do setor produtivo diante das ameaças de tarifas que podem impactar negativamente a economia brasileira. A expectativa é de que futuras intervenções possam ser mais assertivas e focadas em resultados concretos, buscando um diálogo mais eficaz com as autoridades americanas.







