A Polícia Federal (PF) agendou para esta terça-feira, dia 15 de outubro, às 14 horas, o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito de uma investigação que apura supostas fraudes envolvendo cartas de crédito no valor de R$ 12 bilhões, realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O depoimento, inicialmente previsto para o final de agosto, foi adiado a pedido da defesa do empresário, que busca postergar sua oitiva mais uma vez.
Na última quinta-feira, dia 10, os advogados de Vorcaro solicitaram formalmente o adiamento do depoimento, alegando dificuldades na obtenção de acesso completo aos elementos do processo necessários para a preparação adequada do depoente. Segundo eles, embora tenham conseguido acesso ao processo por meio do sistema do Supremo Tribunal Federal (STF), enfrentam limitações técnicas que dificultam a análise integral do material. O processo, conforme informado pelos advogados, contém aproximadamente 937 peças, algumas com entre 2 mil e 5 mil páginas, e o sistema do STF não permite o download em bloco de todos esses documentos, obrigando a defesa a baixar individualmente cada uma das peças.
Além disso, os advogados destacaram que não estão acessando no sistema as mídias dos depoimentos já realizados nem os elementos obtidos a partir de quebras de sigilo, o que prejudica o pleno entendimento do caso. Eles argumentam que esse acesso prévio e completo aos elementos já documentados é fundamental para garantir o contraditório e a ampla defesa de Vorcaro, princípios essenciais no processo judicial.
A investigação, que envolve suspeitas de fraudes bancárias e possíveis ataques ao Banco Central por perfis nas redes sociais, tinha previsão de conclusão ainda para agosto, conforme informações da CNN Brasil. No entanto, os sucessivos pedidos de adiamento dos depoimentos, incluindo o de Vorcaro, comprometem o cronograma inicial e dificultam a finalização do inquérito dentro do prazo previsto.
Além do depoimento de Vorcaro, outros envolvidos tiveram suas oitivas adiadas. Entre eles, o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro, cuja oitiva estava marcada para julho e ainda não possui uma nova data definida. Também o senador Jaques Wagner (PT-BA) teve seu depoimento adiado, após pedido da defesa, embora estivesse previsto para a mesma semana em que Lima seria ouvido.
Essas alterações no cronograma de depoimentos refletem a complexidade do caso e a dificuldade das defesas em acessar integralmente os elementos do procedimento, o que impacta diretamente na condução do inquérito. A expectativa é que, com o acesso completo às informações, as partes possam avançar na análise dos fatos e na eventual conclusão das investigações.









