A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), figura central na crise que afetou a família Bolsonaro, promoveu movimentações significativas no cenário político nesta quarta-feira (1º). Em suas redes sociais, Costa publicou uma mensagem de agradecimento à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que recentemente deixou a presidência do PL Mulher. Simultaneamente, a vereadora participou de um evento ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, focado na ala feminina do partido, que até então era liderada por Michelle.
Em uma postagem direcionada a Flávio, Priscila enfatizou que “não importam os desafios que se apresentam nas crises” e destacou que, como vice-presidente do PL Mulher, sua mensagem seria de “união, maturidade e propósito”. Essa declaração reflete um esforço de alinhamento político em meio a um contexto conturbado.
Para a ex-primeira-dama, Priscila escreveu uma carta de agradecimento, reconhecendo as dificuldades enfrentadas na política. “Não é fácil enfrentar os grandes obstáculos e desafios da política e, no fim do dia, voltar para casa para cuidar das filhas”, afirmou, demonstrando empatia pela trajetória de Michelle.
O evento em que Flávio Bolsonaro esteve presente foi o primeiro realizado sem a liderança de Michelle na ala feminina do partido. Durante a ocasião, o senador buscou mitigar as tensões geradas pelo desentendimento com a madrasta e pelas declarações de aliados, como o influenciador Paulo Figueiredo, que, em um vídeo recente, fez comentários polêmicos sobre o eleitorado feminino, afirmando que “mulher vota muito mal”. Este posicionamento provocou reações negativas entre os apoiadores de Flávio, que se viu na obrigação de esclarecer sua posição. O senador afirmou que Figueiredo está “completamente equivocado” e que, apesar de sua contribuição à família nos Estados Unidos, não fará parte da campanha presidencial.
A situação se complicou após um vídeo divulgado por Michelle no dia 24 de junho, onde ela criticou diretamente seus enteados, especialmente Flávio. A ex-primeira-dama defendia a candidatura de Priscila Costa ao Senado, o que contraria os interesses do pré-candidato e do presidente estadual do PL no Ceará, deputado federal André Fernandes (PL-CE). Segundo Michelle, Priscila foi fundamental na campanha de Fernandes para a Prefeitura de Fortaleza em 2024, que resultou em uma derrota apertada para o petista Evandro Leitão no segundo turno.
Michelle expressou indignação ao afirmar que, após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve uma tentativa de afastar Priscila da disputa, cedendo sua vaga para garantir uma aliança com Ciro Gomes. “Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai [Alcides Fernandes]? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?”, questionou Michelle, evidenciando as tensões internas no PL e a luta pelo espaço político no Ceará.
Assim, a crise que envolve a família Bolsonaro e suas alianças políticas continua a se desdobrar, com cada movimento estratégico sendo observado de perto por aliados e adversários. A dinâmica entre Priscila Costa, Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ilustra as complexidades do cenário político atual e as implicações para o futuro das candidaturas do partido.









