A Polícia Federal (PF) está apurando um possível acesso indevido a informações sigilosas relacionadas à Operação Compliance Zero, envolvendo o caso Banco Master, a partir da Delegacia da PF em Juiz de Fora, Minas Gerais. A investigação foi revelada após documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que indicam a existência de uma quebra de sigilo nas investigações.
Segundo os relatórios oficiais, a suspeita surgiu quando investigadores da própria PF identificaram que dados internos, protegidos no sistema ePol — uma plataforma de uso exclusivo de policiais federais — teriam sido consultados de forma irregular. A partir dessa constatação, a corporação iniciou uma auditoria interna para rastrear a origem do acesso aos sistemas de informações sigilosas. Os resultados preliminares indicam que a consulta teria sido realizada a partir de um terminal localizado na delegacia de Juiz de Fora, reforçando a suspeita de envolvimento de agentes da própria Polícia Federal.
Entre os nomes destacados na investigação, está o de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, que teria trabalhado na delegacia de Juiz de Fora na última função. De acordo com os documentos, ele teria a missão de obter informações sobre inquéritos e processos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no caso. A investigação aponta que Marilson seria líder de um grupo conhecido como “Turma”, formado por policiais que, segundo as apurações, realizariam tarefas específicas sob ordens de Vorcaro. Essas tarefas incluiriam a obtenção de informações sigilosas, consultas irregulares em sistemas públicos e ações de intimidação contra desafetos.
A investigação também revelou que integrantes desse grupo, supostamente liderado por Marilson, recebiam pagamentos mensais de aproximadamente R$ 400 mil, valor que seria dividido entre seis pessoas, totalizando até R$ 9,6 milhões ao longo do período investigado. O episódio que levou à descoberta ocorreu em setembro de 2025, quando um membro do grupo, identificado pelo codinome “Sicário”, enviou a Daniel Vorcaro uma captura de tela do sistema ePol contendo informações sigilosas relacionadas às investigações em andamento.
A Polícia Federal informou que as apurações sobre os acessos continuam em andamento, buscando esclarecer a extensão e o eventual envolvimento de outros agentes ou pessoas. Quanto à defesa de Marilson Roseno, a assessoria declarou que somente se manifestará nos autos do processo judicial. Já a defesa de Daniel Vorcaro optou por não comentar o caso até o momento. As investigações continuam em andamento, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do acesso irregular e identificar possíveis responsáveis pela violação de sigilo no âmbito da PF.









