Durante uma atividade de preparação para as filmagens de uma nova adaptação do filme polonês “Satanás da Sétima Série”, integrantes do elenco realizaram uma “caça ao tesouro” no Palácio de Pielaszkowice, na região da Baixa Silésia, na Polônia, e acabaram por descobrir um raro fragmento de armadura de cavalaria do século XIX. A descoberta, que ganhou destaque na imprensa especializada pelo seu valor histórico, ocorreu na manhã de uma atividade organizada por Joanna Lamparska, escritora, jornalista e apresentadora do canal Hi!History no YouTube, com o objetivo de proporcionar aos atores uma experiência de imersão no universo do filme antes do início oficial das gravações, previstas para 2027.
A atividade contou com a participação de exploradores profissionais, incluindo membros da Associação de Exploradores Históricos DRACO, do Grupo de Busca HUNTER, além do especialista em geofísica Dariusz Gwiazda. A equipe realizou a exploração do fosso de um palácio localizado na cidade de Pielaszkowice, cerca de 40 quilômetros ao sudoeste de Wrocław. Foi durante essa expedição que Wiesław Andrysiak, representante da DRACO, encontrou o fragmento de armadura, uma descoberta considerada por Lamparska como “incrível e milagrosamente preservada até os dias atuais”.
A peça encontrada é um fragmento de couraça de cavalaria pesada, utilizada por soldados no século XIX. Segundo os especialistas envolvidos na expedição, a peça possivelmente teria pertencido a um soldado francês ou prussiano, devido à relação do palácio com as Guerras Napoleônicas. Essa conexão histórica é reforçada pelo fato de que, em 4 de junho de 1813, um armistício entre as tropas de Napoleão Bonaparte e os exércitos aliados da Rússia e da Prússia foi negociado na residência, que também serve de cenário para o enredo do livro original de Kornel Makuszyński, no qual o filme se baseia.
Além do fragmento de armadura, a equipe encontrou outros objetos de valor histórico, como pedaços de esculturas do parque do palácio e acessórios metálicos, incluindo fechaduras originais de portas. Esses itens serão encaminhados ao Museu da Casa da Silésia, localizado na cidade de Ziębice, para análise e preservação.
A escolha do Palácio de Pielaszkowice para a atividade não foi aleatória. Além de sua relação com o período das Guerras Napoleônicas, o local possui um passado marcado por eventos posteriores, como o saque ocorrido em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, quando o Exército Vermelho invadiu a região. Na ocasião, relatos indicam que móveis e objetos valiosos foram lançados ao fosso do palácio, que apresenta cerca de um metro de profundidade, contendo lama e água, o que pode ter contribuído para a preservação de relíquias ao longo do tempo.
A lama do fosso, além de esconder objetos do período napoleônico, pode conter outros vestígios de épocas anteriores, uma vez que a área permanece pouco explorada até hoje. O episódio de descoberta também proporcionou uma experiência única para os atores, que relataram dificuldades físicas ao atravessar o lamaçal do fosso, cuja forte sucção dificultou a caminhada, mas resultou em um contato direto com um objeto histórico de valor inestimável.
A produção do filme, que tem previsão de estreia para 2027, busca, além da preparação técnica, promover uma conexão mais autêntica entre os atores e o universo que irão interpretar. Segundo o produtor Mariusz Pujszo, da Skarb Film, a experiência prática de explorar o local e encontrar relíquias antigas é fundamental para enriquecer a interpretação dos personagens. O episódio também reforça a importância de locais históricos na preservação da memória nacional e na compreensão de períodos marcantes da história polonesa e europeia.









