A crescente preocupação com a poluição causada por microplásticos, partículas minúsculas resultantes da degradação de plásticos convencionais, levou pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências a desenvolver um novo tipo de plástico que promete mitigar esse problema ambiental. Este material inovador contém microrganismos dormentes em sua composição, que, uma vez ativados, são capazes de decompor o plástico sem deixar fragmentos, evitando assim a formação de microplásticos.
Os primeiros testes realizados com esse plástico “vivo” demonstraram que ele se decompõe completamente em apenas seis dias, sem a produção de microplásticos. Essa descoberta representa uma alternativa promissora para a redução da presença dessas partículas nocivas tanto em nosso cotidiano quanto no meio ambiente. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista ACS Applied Polymer Materials em abril deste ano.
Pesquisas anteriores já haviam identificado que certos microrganismos produzem enzimas naturais que quebram longas cadeias de polímeros, a matéria-prima do plástico, em fragmentos menores. Entretanto, a inovação deste estudo reside na combinação de duas enzimas degradadoras de polímeros, obtidas por meio da modificação genética da bactéria Bacillus subtilis. Em comparação com investigações anteriores, que utilizavam apenas uma única enzima, essa abordagem dupla aumenta significativamente a eficiência do processo de decomposição.
Durante os testes, as bactérias foram incorporadas ao plástico na forma de esporos dormentes, um método que protege os microrganismos até que sejam ativados. O plástico resultante, que continha as bactérias, demonstrou ser resistente e funcional, provando que a adição de seres vivos não comprometeu suas propriedades.
A ativação das bactérias ocorreu com a adição de um caldo nutritivo ao produto plástico. Assim que os microrganismos começaram a funcionar, eles produziram as enzimas necessárias e, em um período de seis dias, conseguiram decompor o plástico em seus componentes básicos. Essa rápida degradação é um indicativo do potencial do material como solução para a crise dos plásticos.
Além de desenvolver um produto plástico prático que já incorporou as enzimas, os pesquisadores também observaram que, em um intervalo de duas semanas, o material se degradou completamente. Isso sugere que a nova invenção pode ser utilizada em itens plásticos projetados para ter uma vida útil limitada, contribuindo para a redução do desperdício de plástico.
Os cientistas também estão explorando a possibilidade de ativar os esporos degradadores em ambientes aquáticos, o que poderia ser uma estratégia eficaz para reduzir a quantidade de plásticos nos oceanos. Essa abordagem inovadora não apenas oferece uma solução para a poluição plástica, mas também abre caminho para um futuro mais sustentável na produção e descarte de materiais plásticos.









